Na sua cabeça tem várias sequências passando. As coisas que você fez, que você ouviu, os erros e acertos, as frases pontuais. Então você vê que aquele amor tão grande e tudo o que era de mais bonito na sua vida precisa de cuidado. Não importa quem tem razão: agora você precisa agir.
Você pode estar feliz ou muito, muito triste. Você está sozinho e não há nada para ver aí: só o que você fez instantes antes de todas as luzes se apagarem. O que a sua mãe diria? Deixa pra lá. O que importa é que o país inteiro está no escuro para você.
Não adianta: você precisa sair da cama. Ainda que o seu útero esteja virando cambalhotas dentro da sua barriga. Ainda que a dor seja maior que as tarefas do dia. Ainda que você esteja precisando de carinho & atenção & cobertor & chazinho & bolsa quente. A cólica veio para acabar com o seu dia e a trilha perfeita é o único consolo.
O erro foi seu, admita. Tudo aquilo que era invejável de tão bonito, a história que mais parecia roteiro de filme indie europeu, aquele amor sem precedentes. Era tudo isso e você estragou, tipo o toque do Midas de um jeito inverso. Quem você mais amava se foi e não há nada a fazer.
Depois que você descartar o suicídio e, por fim, resolver encarar a dor, as coisas vão ficar menos piores. Talvez você perceba que a culpa não foi exatamente sua e que aquilo não daria certo mesmo (mas na maioria das vezes a culpa foi sua, pois é). Enfim. Para tapar o buraco de meteoro explodido no seu peito, nada melhor que sentir doer. E para sentir doer, nada melhor que a melhor trilha de todos os tempos gramaticais.
Gica e seus amigos acreditam que existe uma trilha para tudo nessa vida. Se você gostar de alguma, pode pegar porque, no fim das contas, todo mundo vai dançar mesmo. Ah, esse não é mais um blog de crítica musical.