Daqui a pouco as visitas chegam e você ainda está na cozinha, preparando aquela receita da sua tatara/bisa/vó/mãe. Apesar da pressa, tudo corre bem, a não ser pela Maizena que acabou. E faltava tão pouco. E você está toda suada/melada/fedida. Então você profere um palavrão que retumba no condomínio inteiro para depois, calmamente, calçar as havaianas, pegar os fones de ouvido e ir até o mercadinho pra comprar o que faltava.
Fulano não sabe passar recados. Fala errado, não se veste adequadamente, nunca sabe responder o que você pergunta e tem uma risada horrorosa, que machuca. Sempre que sai do banheiro, um odor fortíssimo de amoníaco e canela se espalha por toooooodo o escritório. Algumas pessoas até acham o Fulano legal, mas você não.
Eis que o Fulano já era. Você não precisa se sentir culpado, afinal, a culpa é toda dele. Não é nada pessoal. O problema é ele, não você. Quer dizer, er..., é melhor para ele tentar começar bem em outro lugar. E quando Fulano sair da sua sala com o rabo entre as pernas, você aperta o play e pede um cafezinho tentando segurar uma risadinha maquiavélica.
Eles estão por toda parte. Onde você menos espera há um apelido melado, um carinho exacerbado, beijinhos irritantes e uma felicidade imbecil que chega a ser agressiva. Então você é um daqueles que odeia casais casais felizes, que diz que o amor não existe e que tudo isso é uma palhaçada.
Eu sei que você se irrita e que, ao chegar em casa, desconta a sua frustração enfiando o pé na jaca à sua maneira: engolindo três pacotes de bolacha recheada, socando a parede ou tomando banho compulsivamente. Antes de começar a se lamentar e a perguntar quando é que você vai ter um affair feliz, deixe a trilha da esperança ecoar pela casa e construa um momento de sofrimento cinematográfico.
Gica e seus amigos acreditam que existe uma trilha para tudo nessa vida. Se você gostar de alguma, pode pegar porque, no fim das contas, todo mundo vai dançar mesmo. Ah, esse não é mais um blog de crítica musical.